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Escrevi aqui no começo de novembro, num domingo de insônia, antes dos GPs dos EAU e do Brasil, quem eu achava que haviam sido os melhores da temporada. Foram:

MELHOR PILOTO: Button.
MELHOR EQUIPE: RBR.
PILOTO DESTAQUE: Jaime Alguersuari.
EQUIPE DESTAQUE: STR.
PILOTO DESTAQUE NEGATIVO: Felipe Massa.
EQUIPE DESTAQUE NEGATIVA: Williams.

Hoje eu faria algumas mudanças. Vettel talvez mereça ser colocado ao lado do Button. Independente do carro que teve, não dá pra contestar a temporada de um cara que andou consistentemente na frente do companheiro de equipe como ele andou esse ano e quebrou recordes como ele quebrou. Alguns dirão que seu companheiro de equipe não é um gênio, que, muito pelo contrário, é um piloto desmotivado em final de carreira. Verdade. Ainda assim acho que, no mínimo por respeito à tudo que fez, ele merece ter seu nome ao lado de Button.

O piloto destaque foi Alguersuari, que aliás, andou demais de Kart em Floria esse final de semana. Mas destaco também o Di Resta. Ele andou muito bem no final da temporada. Se ainda não renovou, a Force India tem que renovar o contrato dele urgentemente. Só justificaria não renovar com ele se na surdina estão negociando com o Di Grassi. Já ouvi algo a respeito, mas se estão negociando é muito na surdina porque não vazou nada ainda na imprensa.

Além da STR, eu também mencionaria as Force India, que melhoraram bastante o ajuste para setores de baixa e passaram a ser mais competitivas no final da temporada. Antes eram vistas apenas como carros de reta. No final da temporada passaram a disputar posições ali no miolo e no GP do Brasil, Sutil arrancou um interessante 8º lugar no grid de largada.

Destaque negativo para Williams e também para a Renaut, que largou mão do carro de 2011 a partir da saída do Heidfeld. A grana do Bruno falou mais alto do que a experiência do alemão no desenvolvimento do carro. Acabou custando caro demais para a equipe francesa, que teve que assistir as outras equipes deixarem ela para trás ao longo da temporada. Um carro que começou a temporada conseguindo chegar até em 2º lugar terminou a temporada chegando em 12º, 13º com muito esforço e muita sorte.

Para 2012 não estão previstas grandes mudanças no regulamento, o que significa que as equipes devem trabalhar copiando a fórmula da RBR desse ano. Acontece que as equipes ainda não entenderam muito bem a fórmula dos caras. Por isso, imagino que em 2012 o time do Cristian Horner deva continuar sobrando. Não como esse ano, evidentemente, até porque foi ridículo esse ano, mas deve continuar à frente.

A Mercedes promete um carro mais competitivo, talvez capaz de brigar por alguns pódios, mas ainda é difícil pensar em vitória.

A McLaren deve vir mais forte desde o começo da temporada. E Hamilton que se cuide, se continuar colocando a Spice Girl à frente da carreira, ficará como segundo piloto do Button logo menos.

A Renaut promete uma temporada melhor. Pudera também, pior do que essa não pode ser.

Force India e STR devem manter a tendência de crescimento ou pelo menos ficarem onde estão.

E quem deve se cuidar com tudo isso é a Ferrari, que pode seguir o caminho do Palmeirinhas. E só não seguiu esse caminho ainda porque tem um tal de Fernando Alonso segurando as pontas por lá…

Algum amigo não economista me ajude

Posso estar falando uma grande besteira, mas meus amigos economistas vão me entender. Pelo menos espero que entendam.

Durante a pós-graduação (seja no mestrado ou no doutorado) passamos semestres, anos, lendo, estudando, fazendo listas de exercícios enormes, provando matematicamente uma série de coisas que, se um leigo olhar, vai pensar: que diabos isso tem a ver com economia?

De fato, parando para pensar, econometria (disciplina com a qual perdemos grande parte do nosso tempo) é uma ferramenta para analisar diversas questões, não só econômicas, por meio de técnicas estatísticas. É evidente que nossa preocupação maior é com as questões de economia, mas com a evolução da capacidade de processamento dos computadores e da disponibilidade de dados, os economistas estão cada vez mais dando pitacos em campos menos tradicionais – aproveitando a vantagem comparativa que têm por conta de sua forte formação estatística -, campos que para muitos nem podem ser chamados de “economia”.

Mas esse não é o principal ponto do post. Meu ponto do post é uma curiosidade. Eu tive algum (na verdade pequeno) contato com pesquisadores de outras áreas e pelo que pude notar a formação estatística deles é menos formal. Em campos como a medicina, os experimentos são na maioria das vezes aleatórios, e aí uma simples comparação de média resolve o problema, ok: você seleciona aleatoriamente um grupo de controle, um grupo de tratamento, ministra o medicamento e compara os resultados. Na economia temos agentes “escolhendo” ou não se vão participar do “experimento”, por isso a coisa é mais complexa.

Mas na medicina – e em outros campos correlatos – a coisa não é sempre tão simples assim. E aí me pergunto: é sempre tratada com essa simplicidade? Por exemplo: hoje li no UOL a seguinte notícia: Limpeza dental ajuda a reduzir risco de infarto, diz estudo. Após três parágrafos de enrolação, a jornalista escreve a tal justificativa da pesquisadora:

“A limpeza profissional dos dentes parece reduzir a inflamação provocada pela proliferação de bactérias, que pode provocar infartos e derrames cerebrais, explicou a doutora Emily (Zu-Yin) Chen, cardiologista do hospital de veteranos.”

Ora, eu não entendendo nada do assunto. A tal doutora é cariologista do hospital de veteranos (sei lá que patente é essa, mas sem dúvida é maior do que a minha na área de cardiologia). Mas meu ponto é, isso, do ponto de vista econométrico, ou melhor, do ponto de vista estatístico, tem cheiro de viés de variável omitida.

Limpar os dentes reduz risco de infarto? Não é muito mais razoável que o pesquisador não tenha controlado por alguma não observável de “cuidados com a saúde” ou coisa do tipo e limpar os dentes esteja captando esse efeito?

Alguém que conhece mais a fundo esse tipo de pesquisa pode me esclarecer como funciona esse tipo de pesquisa? Se estou falando uma grande bobagem, peço desculpas. Estou apenas externando um desconforto que tenho quando leio esse tipo de estudos.

Segue o link para a reportagem completa: http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultimas-noticias/afp/2011/11/15/limpeza-dental-ajuda-a-reduzir-risco-de-infarto-diz-estudo.jhtm

A temporada de F1 ainda não chegou ao final, mas acho que já é possível fazer uma avaliação dos melhores e dos piores da temporada. Esse domingo deprimente, gripado, regado a chá e antitérmicos me incentivam a escrever um pouco, mesmo sabendo que ninguém vá ler.
Vou tentar fazer uma avaliação meio objetiva, do tipo “bate-bola”, quem sabe assim alguém lê.

MELHOR PILOTO
Button. Apesar do passeio do Vettel, quem sobrou na temporada, no meu entendimento, foi o inglês. Quanto amadurecimento desde que foi campeão. Não é um gênio, mas sabe administrar uma corrida como poucos. Mereceu o vice. Sim, será vice. Não tenho nenhuma dúvida.

MELHOR EQUIPE
RBR. Qual a dúvida?

PILOTO DESTAQUE
Jaime Alguersuari. Em 2010 já mostrou qualidade. Em 2011 mostrou mais qualidade ainda. Não chegará a ser um novo Vettel, mas vai longe. É bom piloto, tem velocidade e é bem constante, embora ainda lhe falte um pouco de agressividade.
Da metade para frente vale destacar também o desempenho do Schumi. O alemão voltou a aparecer bem e bateu com folga o Rosberg na segunda metade (não fiz as contas, hoje na classificação geral ele perde por 2, mas na segunda metade, tenho certeza que ele vence).

EQUIPE DESTAQUE
STR. Cresceu demais na segunda metade. Passou a andar em um ritmo muito forte e deixou a Sauber e a Force Índia muito para traz. Na temporada que vem tem tudo para brigar para ser a quarta equipe.

PILOTO DESTAQUE NEGATIVO
Felipe Massa. Correr com Alonso como parâmetro não é fácil e ele teve momentos razoáveis na temporada, andando no mesmo ritmo do Alonso e as vezes até ligeiramente mais rápido. Mas não da para o companheiro de equipe chegar no pódio 10 vezes e você não chegar nenhuma, não importa quem é seu companheiro de equipe. Desculpa, Massa.

EQUIPE DESTAQUE NEGATIVA
Williams. Há dois anos o projeto parecia perfeito. Dinheiro do petróleo do Hugo Chaves e a valiosa experiência do Rubinho para ajudar a desenvolver um carro vencedor. E, acredite, Rubinho, sabe fazer isso. Honestamente, não sei onde deu errado. O fato é que hoje, a campeã Williams, está quase no nível das 3 equipes da GP2 que correm na F1.

MUDANÇAS NO REGULAMENTO
PNEUS NOVOS
Sensacional. Deram uma nova cara à F1. O fato deles rapidamente perderem aderência contribuiu muito mais do que o DRS para o aumento das ultrapassagens. Espero que a Pirelli não mude os compostos para o ano que vem. Eles têm apenas que resolver o problema dos “marbles”, mas isso tem sido menos problemático com os compostos mais duros.

DRS
É interessante. Ajudou a dar alguma emoção, mas não sei se deve ficar para sempre. Numa F1 com circuitos chatos como a atual, o DRS é legal, mas se voltássemos a ter circuitos interessantes – como esse novo da Índia, aliás – ele não seria necessário. Prefiro ver F1 no braço.

KERS
Sou totalmente contra. Acho que não acrescenta nada à F1. Absolutamente nada. É um recurso caro, dificulta a distribuição de peso do carro e no final acaba servindo apenas como instrumento de defesa para o DRS. Mas, se o DRS é para incentivar ultrapassagens, para que algo que permita defesa? Não vejo muito sentido no Kers. Acaba sendo só mais um recurso para criar um abismo entre as equipes grandes e pequenas.

Uma questão interessante ganhou espaço nas redes sociais nos últimos dias por conta de um fato infeliz: a obrigatoriedade do uso de serviços públicos por políticos.

Mais especificamente tem se discutindo muito se o ex-presidente Lula deveria utilizar o SUS para tratar do câncer de Laringe que foi diagnosticado no último sábado.

Não quero entrar nesse mérito, mas me vejo obrigado a fazer uma breve nota e dizer que recebi a notícia do câncer do ex-presidente com muito pesar. Todos sabem de algumas criticas que tenho a ele e a seu governo. Mas os que me conhecem melhor também sabem que tenho admiração por parte do seu trabalho e pela sua pessoa.

Dito isso, vou ao ponto principal do post. Será que a obrigatoriedade do uso de serviços públicos por políticos melhoraria o nível desses serviços? A resposta imediata parece ser sim. Mas eu acredito que há aqui um problema de seleção, especialmente no curto prazo.

Explico para os menos familiarizados com termos econômicos: a baixa qualidade dos serviços públicos expulsaria do cenário político aqueles mais bem preparados, mais bem formados, com condições de agregarem alguma coisa ao país, pois o custo de entrar na carreira política seria muito alto para eles: eles teriam que matricular seus filhos em escolas de baixa qualidade, teriam que se submeter à hospitais de baixa qualidade, etc.

Para esses indivíduos, mais bem preparados, seria uma melhor opção ir para o mercado privado, por exemplo, onde ganhariam bem e poderiam ter acesso a serviços melhores.

Restariam apenas os indivíduos com baixo preparo, que não teriam a opção de ser absorvido pelo mercado privado. À esses a opção de seguir carreira política e ter acesso a serviços públicos de baixa qualidade seria melhor do que nada.

Nesse cenário, teríamos, portanto, uma piora da qualidade dos políticos, pelo menos no curto prazo, enquanto os serviços públicos fossem de baixo nível. Como, infelizmente não é possível produzir educação e saúde de qualidade para todos da noite para o dia, acho que é bem razoável que isso de fato ocorresse.

O argumento de quem defende que os políticos sejam forçados a utilizar serviços públicos é que com o passar dos anos, os investimentos em escolas e postos de saúde públicos tenderiam a aumentar. Eu entendo e respeito esse argumento. Mas acho ingênuo justamente pelo exposto acima.

Eu entendo que esse tipo de regulamentação poderia prejudicar em tal ponto a seleção de políticos que poderia, por meio de aumento da corrupção e/ou piora de gestão até reduzir os investimentos em educação e saúde.

Note que não é uma questão simples. Note também que não estou afirmando categoricamente que essa seria uma medida prejudicial. Estou apenas tentando fomentar uma discussão.

Reconheço parte da minha ignorância em não saber como funciona e se existe esse tipo de mecanismo em outras democracias no mundo. Sei que existem outras democracias onde políticos possuem remunerações muito inferiores à do mercado privado e que são complementadas por outras atividades, como no Reino Unido, por exemplo. Esse é um caso interessante e que pode ser feito um paralelo com o Brasil.

Gostaria de ouvir opiniões.

Um pouco de F1 e de velocidade

Desde o GP de Cingapura, em 25 de setembro, há pouco mais de um mês, portanto, esse blog ficou sem posts. Hoje, um apanhado geral da Fórmula 1.

O que esperar da Índia

Quando começarem a roncar os motores na próxima quinta-feira, teremos uma primeira ideia de quem dará as cartas no novo circuito de Nova Déli.

O circuito é mais uma obra do alemão Hermann Tilke, que projetou os circuitos do que gosto de chamar “nova F-1”.

Ele errou muito, é verdade. Errou em Sepang, Bahrein, Marina Bay, e em outros que agora não me vem à mente. Mas também acertou em Valência e em Istambul. Evidente, a conta é muito desfavorável a ele, mas eu acredito que dessa vez ele possa ter acertado. O circuito me parece ter características parecidas às de Istambul e tem duas ou três retas que combinadas com o DRS podem dar bastante emoção à corrida.

Dito isso, e dada à recente evolução da McLaren em circuitos de alta e a aparente maré de tranquilidade do inglesinho, meu palpite é Hamilton para o final de semana.

Vettel, um jovem para a história

Destaque também ao bicampeonato de Vettel. Muitos, inclusive eu, relutavam ainda em coloca-lo no nível de Hamilton e Alonso, mesmo após todo o histórico na F1.

Para quem não lembra, em sua estreia, substituindo ninguém menos do que Robert Kubica na Sauber, foi 8º colocado no GP dos EUA em 2007. Em 2008 venceu o GP da Itália com a modesta Toro Rosso. Em 2009 foi vice campeão, perdendo para uma manobra aerodinâmica de Ross Brawn. Em 2010 e 2011, o inevitável, um título suado, quando ele quase perdeu para sua própria falta de experiência e um título que foi um passeio.

A Fórmula 1 é muito dinâmica. De 1988 a 1991 a McLaren tinha o melhor carro. Senna era o melhor piloto e sobrava nas pistas. Em 1992 lutou muito para conseguir o vice por conta de um grande desenvolvimento das Willians. É difícil saber, portanto, o que acontecerá daqui para frente com Vettel e com a RBR. Mas não consigo vê-los fora da disputa tão cedo

A provável aposentadoria de Rubens Barrichello

Parece que Rubens não completará 20 anos de F1. Fortes rumores de que a Williams já teria acertado com Raikkonen para a próxima temporada.

Sinceramente não sei o que pensar. Rubinho vem fazendo, dentro dos limites do carro, uma boa temporada. Mas ver Raikkonen de volta é sempre interessante. O problema é que, Rubinho ou Raikkonen, com esse carro da Williams se arrastando nas pistas, fica difícil conseguir algum resultado.

O futuro de Bruno Senna

O futuro de Bruno ainda é incerto. Ele foi bem em Spa e Monza, em lugares onde já havia corrido na F-3 ou GP-2. Nos outros circuitos, da “nova F-1”, a falta de quilometragem pesou e ele não foi bem. Não adianta tentar ser ufanista ou tentar usar de eufemismos, ele não foi bem. E a equipe deu sinais de que perdeu a confiança.

Seu grande trunfo é que os médicos de Kubica dão cada vez mais sinais que o retorno do polonês no começo do ano é muito pouco provável. Com isso, e com a grana injetada pelos patrocinadores, acredito que Bruno pode ficar. Mas ele precisa acertar nas últimas provas. Na Índia acho bem razoável que ele tenha um final de semana de mediano para bom, dada as características do circuito e o fato de ninguém nunca correu lá, então a desculpa de falta de quilometragem não vale. Em Abu Dhabi a coisa complica um pouco mais. Em interlagos ele deve sobrar, mas lá a decisão da equipe já deve ter sido tomada.

As perdas do esporte a motor

Finalmente, é inevitável falar sobre o assunto.

Primeiro, há cerca de uma semana, Dan Wheldon se foi em um terrível acidente. Apesar de não ser fã da Indy, sou fã do automobilismo inglês e Dan era um além de muito talentoso, um cara que cresceu rivalizando com pilotos como Jenson Button nas categorias iniciais do automobilismo inglês. Impossível não ficar sensibilizado. O mundo perdeu um grande piloto, um grande campeão. Dan foi campeão da Indy em 2005 e vencedor das 500 milhas em 2005 e, por bastante sorte é verdade, em 2011.

Há poucos dias, na motovelocidade, em um dos mais chocantes acidentes que já vi, Marco Simoncielli também se foi. Não acompanho a Motovelocidade, mas meus amigos do circuito do automobilismo juraram que se tratava de um futuro Valentino Rossi. Segundo eles lhe bastava apenas um equipamento melhor e mais experiência. Independente disso, uma pena. Para quem é fã de velocidade, esses casos realmente chocam.

A corrida em si foi morna. Vettel sobrou. Desde a largada, ninguém teve nenhuma chance contra o alemão. Nas últimas voltas, o talentoso Button até tentou, mas entendo que muito mais por conservadorismo do alemão, que tirou o pé.

Ali atrás algumas brigas boas, mas nada que vale registro. Não que me venha a memória pelo menos. O que vale a pena contar sobre a corrida é o incidente envolvendo Massa e Hamilton. E vale por três coisas.

Em primeiro pelo incidente em si. No momento, me manifestei a favor de uma punição para o inglês, que acabou ocorrendo. Revendo o lance com calma entendo que foi muito mais um incidente de corrida do que qualquer outra coisa. Houve imprudência da parte do inglês. Mas o Felipe também se defendeu de forma agressiva no ponto de abertura de asa, contra um piloto que ele conhece as características. Arriscou. Deu sorte para o azar. Deu no que deu.

E Hamilton, no final das contas, mais calculou mal do que qualquer outra coisa. Sua ideia era frear mais dentro e sair pela parte de dentro, para ter a preferência na curva seguinte. Errou e freou dentro demais, na roda traseira do brasileiro.

Em segundo lugar, o incidente vale ser ressaltado porque desencadeou uma corridaça por parte do inglês. O inglês chegou em 5º e deu um show nas ruas de Cingapura. Sou cada vez mais fã dele, por mais que tente odiá-lo.

Finalmente, em terceiro lugar, o incidente foi a gota d’água para Felipe Massa e fez ele, pela primeira vez em muito tempo, agir como Homem – com H maiúsculo mesmo – confrontando o inglês que já o prejudicou esse ano em Mônaco e no Q3 em Cingapura forçando uma ultrapassagem para abrir a volta antes.

Só para não perder o costume, vou mencionar também o discreto rendimento do Bruno. Largou em 15º, chegou em 15º. Parece pouco, mas o garoto, de novo, foi bem. Primeiro, porque ficou na frente do Petrov de novo, o que vale bastante para que est[a ainda cavando uma caga para 2012. Segundo, e mais importante, porque teve que fazer uma prova de recuperação porque errou no começo da prova e teve que trocar o bico, o que fez ele cair para 19º.

Mas já me parece claro que o Bruno está chegando no limite do que o carro e o companheiro de equipe tem a oferecer. É preciso mais carro e mais companheiro para que ele possa aprender mais. Afinal, é preciso ter em mente que o Bruno começou muito tarde no automobilismo e passou por poucas “escolas”. Seria muito importante andar com alguém experiente em 2012.

Vem aí o GP de Cingapura, mais um circuito da “nova F1”. Dessa vez um circuito de rua, um circuito travado. Mas, para um circuito da “nova F1”, até que é um circuito razoável. É um circuito que exige bastante downforce, muito dos freios e, como todo circuito de rua, exige muito cuidado com os pneus.

Logo, o desempenho da Mercedez deve ser pior do que foi nos velozes circuitos de Spa e Monza. Não esperem ver o velho Schumi de volta.

Também não espero boa prova da equipe Renaut, que não foi bem em circuitos travados, como Mônaco e Hungria. Alguém pode dizer que a Renaut foi bem no Canadá (Petrov foi o 5º) e eu disse que o circuito tem características parecidas com o Canadá. O circuito Gilles Villeneuve é um dos mais rápidos da temporada, lá os carros passam dos 315 km/h. A coincidência entre ele e o circuito de Marina Bay fica apenas na exigência dos freios, que em Cingapura é mais forte do que em um circuito de rua normal.

Tudo isso para dizer que passar para o Q3, dessa vez, pode ser considerado um verdadeiro milagre, tanto para Petrov quanto para Senna.

A lógica aponta para Vettel dominar o final de semana, vencer a prova, mas ainda não levar o titulo.

Em uma pista como essa, no entanto, o talento de pilotos como Fernando Alonso pode fazer a diferença. No ano passado, por exemplo, com carro inferior, ele fez a pole e levou a vitória para casa. Dois anos antes também, é verdade, participou no mesmo cenário da maior babaquice da história do esporte, envolvendo Nelsinho Piquet e Flavio “Dick Vigarista” Briatore.

Não sei como vem a McLaren, mas nos circuitos travados, Button, por ter uma tocada mais suave, leva clara vantagem em relação a Hamilton, então, se fosse apostar em alguém da equipe inglesa, não seria no fã de Ayrton.

Amanhã começam os treinos livres. Bom final de semana a todos. E boa sorte para os brasileiros!

O desempenho de Senna

Vale a pena escrever um post sobre o desempenho de Senna em Monza. As palavras de seu chefe, Eric Boullier, dizem tudo: é melhor do que tinha sonhado (…). Ele não corria desde ano passado, não tem muito experiência, mas largou em Spa com chuva e aqui não é uma das pistas mais fáceis da F1.

Na largada, mais uma vez, vimos que falta ritmo ao garoto. Ele tracionou mal e perdeu várias posições. O que, no final das contas acabou sendo bom, porque lhe deu tempo de desviar do acidente que aconteceu com Liuzi, Petrov e Rosberg.

Senna foi para os boxes e voltou apenas à frente de Barrichello, e agora não tinha mais necessidade de usar pneus duros. Se por um lado isso poderia lhe dar de 0,8 a 1,2 segundos por volta em relação aos demais carros. Por outro lado, era como se ele começasse a corrida praticamente da ultima colocação. E o brasileiro foi, com determinação e com frieza fazendo as ultrapassagens, uma a uma, até conquistar a nona colocação ao final da prova.

É evidente que ele foi ajudado por abandonos e que o desempenho poderia ter sido melhor. Pela transmissão fica difícil notar, mas faltou constância a Bruno. Em alguns momentos ele oscilava mais de 1 segundo de uma volta para outra, sem motivo algum. É normal para quem estava tanto tempo parado e em uma pista em que você frear três metros antes do ponto certo significa perder até 0,4 décimos devido ao tamanho das retas que seguem as chicanes.

O importante foi ver a determinação e a capacidade de andar rápido dele. Se vai chegar em algum lugar, ainda é muito cedo para falar, mas por enquanto, está fazendo um excelente trabalho.

Por último vale citar também o bom trabalho de Massa. A sexta colocação se deveu ao toque com Webber logo no começo da prova, que, na minha opinião, deveria valer punição ao australiano. Massa fez nessa corrida o que lhe faltou em toda a temporada. Mostrou determinação e agressividade. Tanto que poucas voltas após o toque que o faz cair para décimo, já era sexto colocado. Aí, concordo com as críticas, faltou pedal para chegar nos cinco da frente. Mas, convenhamos, aí já seria querer demais.

Monza

Faz muito tempo que não escrevo no Pitacos. E, em meio a uma mudança na vida, com novos projetos acadêmicos, “fim” do mestrado, etc, resolvi tirar uns 30 minutos dessa quinta-feira pós feriado para escrever sobre esse fim de semana da F1.

Apesar de muitos gostarem de Monza, eu odeio esse GP. É um circuito enfadonho pra quem vê. Pra quem corre, me desculpem os mais certinhos, mas deve ser um tesão. Duas baitas retas, duas chicanes de “quebrar a costela” (quem já errou a chicane da curva 1 na granja sabe do que estou falando) e um curvão de alta que deve judiar do pescoço do piloto inexperiente. Pra quem assiste, é uma fila indiana. Todo mundo sem downforce, ninguém pode andar a menos de 2 segundos porque perde pressão e aí fica aquela coisa chata, ninguém passa ninguém.

Confesso que fico curioso para saber como vai ser com a asa traseira móvel. Acho que ficará até chato, de tanta ultrapassagem que vai ter. Se, de fato, a FIA permitir dois pontos de uso do instrumento, então, aí ficará ridículo.

Meu pitaco é McLaren. Se é Button ou Hamilton, não sei. Depende como o geniozinho estará de cabeça e como os compostos da Pirelli vão se comportar. Se Hamilton não fizer bobagem, tem tudo para ir muito bem. Se os pneus sofrerem muito desgaste, ponto para Button, que sabe preserva-los como ninguém. Mas não deve ser o caso.

A Ferrari corre por fora. Pode fazer mais que as RBRs, mas menos que as McLarens, até pela asa das McLarens, que funcionam um pouco melhor. Mas o talento do Alonso sempre pode contar numa pista técnica como Monza.

E porque não aposto na RBR? Porque toda a vantagem aerodinâmica da RBR num circuito como esse vai pro espaço. Se bem que, se alguém lembra da corrida do ano passado, o Button usou um ajuste com muito mais downforce que os outros e quase levou. Ficou em segundo, entre as duas Ferraris. De repente, com a sorte, e com o braço que está esse ano, Vettel pode aprontar e ficar a duas vitórias de levar o campeonato. Alguém duvida de mais alguma coisa dele?

Ah, sim. Boa sorte pro garoto, Senna. Mais calma dessa vez, menino. E menos pressão pra cima dele, também.

Escrevam ai: Alonso está na briga

A vitória do espanhol está amadurecendo. Ela teria vindo em Mônaco, nas voltas finais, quando Vettel sofria, quase sem pneus. No Canadá o acerto da Ferrari era muito bom, mas uma parada em hora errada prejudicou toda a corrida do espanhol. Em Valência, pitaco meu, ele não deve deixar a vitória escapar.

E vou além, com a proibição do mapeamento dos motores e a limitação no uso do difusor integrado, ele entra na briga pelo campeonato. Não estou dizendo aqui que ele é favorito, mas estou dizendo que não dá pra riscar ele da lista de possíveis candidatos, mesmo estando quase 100 pontos atrás do Vettel.

No final das contas, eu, que nunca suportei o espanhol, vou cada vez mais me rendendo ao talento dele.

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